» Especial :: Æ


Edição de fevereiro, 2000 - Segunda parte.

de Carlos Marcelo

 

      Café, soja, tomate, ervilha e milho, muito milho. A agricultura é a principal atividade econômica de Patos de Minas. A cidade mineira, que fica a 405 km de Brasília, investe tanto no plantio que tem uma área especialmente para exibir o resultado de sua produção anual: o Parque de Exposições de Patos de Minas, onde é realizada há 41 anos a Festa Nacional do Milho. E foi no meio da poeira da arena de shows do parque, bem distante do concreto brasiliense, que a Legião Urbana fez a primeira apresentação de sua carreira.

A banda brasiliense foi uma das nove atrações do festival Rock No Parque, realizado no dia cinco de setembro de 1982 em Patos de Minas. Na verdade, a Cadoro Promoções - empresa responsável pela produção do festival - tinha contratado o Aborto Elétrico e até impresso centenas de cartazes com o nome da banda formada por Renato Russo, Fê Lemos e Andre Pretórius. Mas, como o grupo tinha acabado, Renato convenceu o dono da produtora, Carlos Alberto Xaulim, a se apresentar com a banda que tinha acabado de formar com o baterista Marcelo Bonfá.

      Inicialmente, a idéia de Renato era mais ambiciosa do que apenas criar mais uma banda de rock`n`roll no Planalto Central. Ele queria que a Legião Urbana realmente representasse a turma que tinha ajudado a criar no final dos anos 70 com o Aborto Elétrico. ´´ Na cabeça do Renato, a idéia era fazer uma turma para poder mexer com as estruturas da cidade. Para isso, quanto mais gente melhor, contanto que se mantivesse o controle ideológico da coisa ``, explica Dado Villa-Lobos, o terceiro - e definitivo - guitarrista da Legião. ´´A idéia original era ficar apenas o Renato e o Bonfá. Eles chamariam diversos outros músicos e compositores da turma para fazer as canções. Seria uma espécie de célula mutante, as pessoas iam entrando e se revezando ``, complementa Dado Villa-Lobos. Os dois responsáveis pelo núcleo da célula mutante tinham completa afinidade musical, como revela o baterista Marcelo Bonfá. ´´ Quando o Renato pegava o baixo, se ele tocasse uma nota, eu já sabia tudo que ele queria dizer: o ritmo, o andamento, tudo. Não precisava falar nada: Era uma conversa totalmente musical. Baixo e bateria pulsando... e a guitarra a gente já ouvia na cabeça ``.

      OS HOMENS QUE SABIAM DEMAIS Para que o som da guitarra não ficasse limitado a imaginação da dupla, Bonfá convidou um colega de colégio que não seguia a cartilha do punk-rock. Eduardo Paraná, que atualmente desenvolve carreira na música instrumental utilizando o nome de Kadu Lambach, dominava tanto o instrumento que logo os três perceberam que seu potencial seria desperdiçado. ´´ Ele olhava para a cara do Renato e dizia: `vai querer que eu faça só uma nota?`. O Renato respondia: `Yes! Faz só isso, mais nada!´. Aí o Paraná viu que não ia dar e resolveu ir embora``, lembra o baterista.

      O tecladista que o grupo convidou, Paulo Paulista Guimarães, também não durou muito tempo. Mais afeito as camadas de teclados utilizadas no rock progressivo, Paulo chegou a tocar várias vezes seu teclado Casiotone no quarto de Renato Russo, primeiro local utilizado para ensaios. Mas o primeiro e único show foi mesmo o de Patos de Minas, que acabou na delegacia (veja box). Na verdade, tanto Paraná como Paulista saíram porque perceberam o óbvio: sabiam mais do que era necessário para aplicar nos arranjos simples da Legião. A solução seria procurar alguém que compensasse com entusiasmo juvenil a falta de técnica. Alguém como Dado Villa-Lobos.

      O ABORTO DE UM SOCIÓLOGO Quando nasceu em Bruxelas no dia 29 de maio de 1965, Eduardo Dutra Villa-Lobos foi programado a receber um futuro brilhante. Seguiria a profissão do pai e seria diplomata. Tudo estava indo bem nesse sentido até os 12 anos, quando o garoto tímido que se escondia atrás de um par de óculos fundo-de-garrafa (indispensável por conta dos 3,5 graus de hipermetropia em cada olho) começou a ouvir Beatles, Bill Haley, Little Richard e Chuck Berry. Depois, fuçou a discoteca da irmã mais velha e lá achou Transformer, de Lou Reed. Foi pedir ao pai para traduzir a letra do maior sucesso do disco, Walk on the Wild Side, e ele, mesmo constrangido, leu em português para o filho as histórias de travestis e prostitutas narradas pelo cantor nova-iorquino.

      Mas foi aos 14 anos, quando volta a Brasília depois de morar na Iugoslávia, Uruguai e França, que começou a ser abortada a carreira diplomática de Dado Villa-Lobos. Na capital, ele ouviu pela primeira vez o disco It´s Alive, dos Ramones. ``Aí tudo mudou``, define o futuro guitarrista da Legião Urbana. ``Porque logo depois eu passei pelo Foods (lanchonete na Asa Sul) e lá vi umas bandas tocando ao vivo. Era muito parecido com a experiência de ver de perto o que seriam os Ramones em Nova York em 1976``, compara. Dado sequer sonhara até então em participar do então embrionário rock-Brasília, surgido no final dos anos 70 na capital federal a partir de bandas como Aborto Elétrico e Blitx 64. Até porque o máximo de transgressão que aquele menino tímido e diabético cometia era devorar bombas de chocolate escondido dos pais. ``Eu estava cursando Sociologia na UnB (Universidade de Brasília) e minha vida já estava programada: era fazer o currículo básico do curso, depois voltar para a França e seguir a faculdade por lá``, conta. ´´Até que fiquei sabendo que a Legião Urbana estava sem guitarrista para fazer o primeiro grande show da carreira deles, em uma temporada na ABO (Associação Brasiliense de Odontologia). E eles estavam procurando um cara que, se tocasse tipo David Byrne (do Talking Heads, conhecido pelo estilo despojado e sem virtuosismos), estava legal ``.

O máximo que Dado tinha se aproximado do rock-Brasília até então era montar uma banda instrumental só de curtição com quatro amigos: Bonfá, Dinho Ouro Preto (que morava na mesma quadra de Dado, a 213 Sul), Loro Jones e Pedro Thompson Flores. Era Dado e o Reino Animal, nome sugerido por Herbert Vianna, dos Paralamas. ´´ Eu tinha guitarra, mas não tinha correia. O Herbert falou que me dava uma correia de guitarra se a minha banda se chamasse Dado e o Reino Animal. Topei e tive que explicar para os caras``, revela o guitarrista, lembrando que sua banda foi a primeira da turma a incluir um teclado. Mesmo sem letras, as músicas (quatro, mais precisamente) eram copiadas em cassete e tocadas nas festas, como era de praxe entre o pessoal da época.

      NÓS SOMOS A MÚSICA BRASILEIRA ``Como a gente trocava muita fita cassete, a turma conhecia todas as músicas de todas as bandas. Não dava muito para ouvir, mas todo mundo conhecia o repertório do outro. Nós não queríamos ouvir o que estava rolando, queríamos fazer o nosso próprio som. Então, o que a gente ouvia de música brasileira éramos nós mesmos...``, constata um dos habitantes do reino animal de Dado, o amigo Dinho Ouro Preto.

      Filho de diplomatas, o curitibano Fernando Ouro Preto morou em Genebra (Suíça) antes de se mudar para o cerrado. Fernandinho (do diminutivo vem o apelido Dinho, que se tornaria nome artístico do cantor) namorava Helena, irmã de Fê e Flávio Lemos, respectivamente baterista e baixista do Aborto Elétrico. Por isso, acompanhava de perto os ensaios do Aborto na casa dos Lemos, no Lago Norte. ´´Vi várias músicas surgindo naquela época: Conexão Amazônica, Veraneio Vascaína, Fátima...``.

Fã de Led Zeppelin e Deep Purple, Dinho usava cabelo comprido e desprezava punk-rock. De tanto freqüentar os ensaios do Aborto, porém, acabou convertido aos três acordes. Cortou o cabelo e, quando soube que Fê e Flávio estavam procurando um novo vocalista para a banda que tinham montado com o guitarrista Loro Jones, se ofereceu para cantar. Fez teste e ganhou na garganta o posto de vocalista do Capital Inicial. Insistiu para que os Lemos aproveitassem alguns dos clássicos do Aborto no repertório do novo grupo e ainda fez Renato Russo terminar a letra do que seria o maior sucesso do Capital: Música Urbana. ´´ Tinha uma cassete com essa música, mas ela estava inacabada, com uma só estrofe. Aí eu liguei para o Renato e pedi para ele fazer a Segunda estrofe. Ele falou: `Ah, é? Peraí, anota a Segunda parte...` E ele fez na hora, pelo telefone!``, espanta-se o vocalista, que entrou no Capital substituindo Heloísa, uma bela ruiva que não podia se dedicar a banda por conta da pressão dos pais.

      A VIRADA RUMO A PROFISSIONALIZAÇÃO Mas foi Heloísa a vocalista do Capital na Temporada de Shows da ABO, certamente o ponto de virada na trajetória das bandas brasilienses rumo a profissionalização. Realizada em um pequeno teatro da Associação Brasiliense de Odontologia, a temporada durou um mês e foi um sucesso de público. Marcou também a estréia oficial de Dado Villa-Lobos como guitarrista da Legião. ``Eles me chamaram um mês antes da apresentação na ABO - tivemos um mês para montar um repertório, que até então era só Ainda É Cedo e coisas da época do Aborto. A gente passou um mês na casa do Renato, no quarto dele, fazendo as músicas: Petróleo do Futuro, Teorema, A Dança, Baader (Meinhof-Blues), O Reggae... praticamente todas que entraram no primeiro disco. Nós fomos a zebra da temporada porque as outras bandas, Capital, XXX e Plebe, ensaiavam há muito mais tempo e tinham repertório definido´´, lembra Dado.

      Outra conseqüência da temporada de shows da ABO foi a consolidação do prestígio e popularidade da Plebe Rude. Mesmo integrantes de outras bandas reconhecem que a banda formada em 1981 por André Mueller (baixo), Gutje Woortman (bateria) e Philippe Seabra (guitarra e vocal) era quem dava as cartas do punk rock brasiliense. ``A Plebe liderou hierarquicamente as outras bandas, foi a que mais despontou nessa época´´ , constata Dado Villa-Lobos.

      Pedro Ribeiro, irmão de Bi (Paralamas) e um dos integrantes da turma que dividia apartamento na 213 Sul com Dado e Dinho, enumera algumas das razões do sucesso da Plebe. ``Além de fazer mais shows, tinha o maior marketing: fazia fanzine, fotos, bastante camisetas, pichações.. também foi a primeira banda a fazer cenário para um show (dezenas de sacos de areia, como numa trincheira, numa citação na letra de Johnny Vai a Guerra, um dos primeiros hits do grupo). Tinha letras mais diretas e objetivas, que todo mundo da turma cantava e citava ´´, conta Pedro, que tocava baixo no Diamante Cor-de-Rosa (grupo new wave que mudava constantemente de formação e acabou não decolando) e depois se tornaria empresário da Plebe.

As letras da Plebe Rude, quase todas escritas por Mueller, eram ácidas e críticas, muitas vezes em relação ao próprio rock-Brasília. Tinham uma música chamada Bandas BsB, na qual diziam ``estar cansado de bandas que cantam Que País É Este´´ . Já A Moda era um manifesto irônico contra os modismos: ``Sempre tento seguir a moda, mas a moda corre mais do que eu/A moda é não seguir a moda/Ou será que você não entendeu...``.

      O CANTOR CARECA Para aumentar a força das letras, faltava um vocalista. Jander Ameba Bilaphra, que ia direto aos ensaios da Plebe mas queria tocar bateria ou baixo, acabou cantando e tocando guitarra. Sempre careca, sempre contestador, Ameba era da turma da Asa Norte e andava sempre com um grupo que incluía os irmãos Geraldo e Loro Ribeiro (ambos ex-Blitx 64) e Renato Negrete Rocha (futuro baixista da Legião Urbana). Filho de uma professora de música, Jander nunca tinha pensado em cantar. ``Até hoje, não me considero cantor, mas funcionava na Plebe. Espero que funcione de novo´´, brinca o vocalista, referindo-se a volta da formação original do grupo para shows e gravação de um novo disco produzido por Herbert Vianna.

      A Plebe também experimentou incluir duas cantoras para fazer backing-vocals. Marta Brenner e Ana Galbinski foram rebatizadas por André Mueller e se tornaram Marta Detefon e Ana XYZ. ``A idéia era boa, mas acabou ficando muito parecido com a Blitz, que já fazia muito sucesso´´, resume Mueller. ``Ficamos por um ano e fomos expulsas quando a coisa ficou mais séria``, revela Marta Brenner. ``A gente até ficou chateada, mas depois vimos um show deles no Teatro do Sesc (Asa Sul) e percebemos que ficou bem melhor``, reconhece Marta.

      O sucesso estrondoso da Blitz, com Você Não Soube Me Amar e outras pérolas catadas nas praias da Zona Sul carioca, abriu os olhos dos brasilienses. Não que eles quisessem repetir a fórmula ``Ok, você venceu, batata frita´´ de Evandro Mesquita, e sim porque começava a ser possível acreditar que as gravadoras e rádios tinham interesse no rock nacional. Mesmo a Legião, no comecinho da carreira, tentou pegar carona no sucesso da Blitz.

      LEGIÃO E BLITZ NO MESMO PALCO Renato Russo, que trabalhou como repórter de um programa de rádio do Ministério da Agricultura chamado Jornal da Feira, descobriu que seu antigo chefe, o radialista carioca Cristiano Menezes, iria produzir a primeira apresentação da Blitz em Brasília, que também seria o primeiro show da Legião no Plano Piloto. Não hesitou em mandar uma carta para Cristiano pedindo para que a Legião fosse escalada para a abertura do show: ``Nossa turma é gigante. Você podia ter falado com a gente pra ajudar a colar cartazes, espalhar a notícia, etc (...). PLEASE não nos deixe nesse desespero de ficar sonhando com uma coisa impossível``, escreveu o vocalista, antes de se despedir em tom profético, em letras garrafais: ``NÃO VAMOS DESISTIR NUNCA! VIVA A MÚSICA ELÉTRICA!´´.

      O show acabou acontecendo, mas não do jeito que Renato queria. A Blitz não deixou a Legião fazer a abertura, e sim tocar depois, quando o público já estava indo embora, como lembra o produtor Cristiano Menezes: ´´A Blitz fez o sucesso que se esperava. Quando acabou, a Legião se arrumou rapidamente no palco. O Renato berrou um boa noite e mandou um discurso rápido. Somos a Legião Urbana e estamos aqui pra mostrar que Brasília também faz Rock'n Roll !!!!! Falou um pouco mais, mas não demorou. Falou rápido, mas, meio com raiva, algo puto. E aí atacaram. Não me lembro o que, mas não esqueço a imagem do público voltando. Foi emocionante ´´, descreve.

      Foi por causa de atitudes inflamadas como essa que Renato foi adquirindo status de ídolo na capital. E, com o sucesso dos Paralamas, que tinham gravado no primeiro disco uma letra de Renato Russo (Química), as gravadoras perceberam que havia uma geração de bandas sendo formada na capital federal. Pedro Ribeiro, que tinha acompanhado Bi nas gravações da estréia do Paralamas, mostrou a Jorge Davidson, diretor da Emi, uma fita com gravação de Renato cantando e tocando no violão músicas como Faroeste Caboclo. A banda foi então chamada ao Rio para conversar e acabou acertando o contrato com a Emi Odeon para gravação do primeiro disco. No último show da banda antes da mudança definitiva para o Rio, houve choro no público e no palco do Teatro da Escola-Parque. Fãs e músicos sabiam que a relação da Legião com sua cidade jamais seria a mesma. O pássaro novo estava deixando o ninho.

      

      Na terceira e última parte da reportagem especial sobre o rock-Brasília: A tumultuada gravação do primeiro disco da Legião Urbana. Mayrton Bahia: não basta ser produtor, tem que participar. Plebe Rude e Capital Inicial também deixam Brasília. Como a Legião se tornou a maior banda de rock do Brasil. O legado do poeta.

      O primeiro show da Legião (com foto de Paraná e Gutje em Patos de Minas) Setembro de 1982. O Brasil começa a sentir os efeitos da redemocratização, com o abrandamento da censura e da repressão policial. Mas, em uma cidade do interior e conservadora como Patos de Minas, esses sinais demoravam a ser captados. De jeans rasgados e cabelos arrepiados, uma turma de punks brasilienses desembarca para participar de um festival de rock no Parque de Exposições da cidade mineira. Não poderia acabar bem.

Anunciada até poucos dias antes do festival como Aborto Elétrico (os organizadores não sabiam que a banda tinha acabado), a Legião deu um jeito de levar na viagem alguns amigos, entre eles os integrantes da Plebe Rude. Eles chegaram cedo na cidade, mas como não havia muito o que fazer, passaram o dia enchendo a cara e dormindo na grama.

      Na hora da passagem de som, a primeira surpresa ``Eu precisava de alguém para passar o som do violão´´, lembra o técnico Marcos Amorim. ``Aí o Renato pegou o violão, chamou a galera e disse: `o meu show já começou´. Nunca tinha visto isso: começar um show durante a passagem. E nunca vi de novo´´, comenta Marcos, 39 anos, atualmente trabalhando na equipe de palco do Jota Quest.

      Renato, Paraná (guitarra), Paulista (teclados) e Bonfá (bateria) fizeram então o primeiro show da carreira da Legião Urbana. Na platéia, dezenas de policiais fardados e atentos as letras de protesto da banda. Mas a barra só pesou de verdade quando a Plebe Rude subiu ao palco e tocou a música "Vote Em Branco", que tinha os seguintes versos: ``Imagine uma eleição onde ninguém fosse eleito/ Já estou vendo a cara do futuro prefeito/Vamos lá, cara, seja franco/ Use o poder do seu voto/Vote em branco/Seja alguém, não vote em ninguém..´´.

       Não deu outra. Terminado o show da Plebe, a polícia levou todo mundo preso para ``esclarecimentos´´ sobre o conteúdo das letras. Na delegacia, Renato tomou a palavra e fez discurso pregando a liberdade de expressão dos artistas. Foi tão convincente que o delegado liberou a turma toda, com apenas uma condição: que pegassem o primeiro ônibus de volta a Brasília e nunca mais aparecessem por lá. Condição imediatamente aceita. Na volta, mais uma surpresa. Como ninguém conseguia dormir por conta da agitação, Renato começou a contar uma longa história de terror. ``Demorou uma meia hora mas ninguém conseguia deixar de ouvir. Era uma história apavorante, cheia de detalhes, como se fosse um filme, mas que ele tinha acabado de inventar´´, descreve André Mueller, baixista da Plebe Rude.

      Meses mais tarde depois da estréia em Patos de Minas, durante intervalo forçado pela quebra de uma guitarra em show na temporada da ABO, Renato deu versão um pouco diferente para o episódio da prisão. `` (...) Acontece que nossas letras nunca foram muito assim, digamos, construtivas para o pessoal do lado direito. (...) Só que, de repente, a Plebe Rude desce do palco escoltada por uns 20 policiais de cada lado, que perguntam: `quem escreveu aqueles versos?´. Mas a música não era da Plebe Rude, a música era da gente, essa música se chama Música Urbana´´, narrou Renato, referindo-se a balada blues incluída no álbum Dois, da Legião, rebatizada de Música Urbana 2 para não ser confundida com o primeiro hit do Capital Inicial.

 

edições 1ª 3ª

voltar para arquivo